Laura M., 20 e muitos anos, São Paulo. Atualmente, uma trabalhadora deste meu
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Oaristos Errpañoles


Deste site você pode pegar o que quiser, sem modificar e sem usar para fins comerciais, dando os devidos créditos em algum local visível do seu site/trabalho/etc. Você é obrigado sim a fazer isso!

Escrevo desde maio de 2002, nem sempre neste endereço. O que significa "Oaristos" você pode ver no 1º post de todos, lá embaixo, nos arquivos. Comecei porque queria aprender html, só depois
veio o gosto pela coisa.


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(27.6.05)

Estou assistindo ao show do Coldplay que tá passando no Multishow, e até meu couro cabeludo tá arrepiado. =)
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(25.6.05)
Pára tudo!
Não estou mais dando conta da minha própria cidade. Pela primeira vez em 23 anos, me questionei se vale a pena morar aqui mesmo. O ferrrvo cultural, as opções para cada uma das 24 horas, os lugares que nunca fecham, a variedade de pessoas, o anonimato... que importância tem tudo isso se você não consegue viver em paz? Cada hora é um que passa por apuros. Duas pessoas do meu círculo sofreram sequestro-relâmpago nos últimos dois meses, ontem colocaram a arma na cabeça de outro pra entregar o carro. Eu mesma fui assaltada por aquela criança que conseguiu me dar um preju sem noção. Uma outra amiga foi estuprada. Ok, agora não tem nem mais como continuar a enumeração.

E não é só isso, só esses extremos de violência. A gente mesmo anda violento. Se a gente não pega o primeiro ônibus que aparece, vem a sensação de que estamos saindo no preju. Corremos pra tudo, ou correm em cima da gente e nos esmagam na catraca do metrô. Vivemos num estado mental de violência e pressa do qual é muito difícil sair, porque invariavelmente temos 347 tarefas pra cumprir num período de 19 horas (porque pelo menos nas outras 5 temos que dormir um pouco). A "vida moderna" é assim pra maioria dos que vivem aqui. Sorte de quem consegue escapar dela - porque eu acho que, na verdade, muitas vezes não é questão de escolha!

Estou escrevendo tudo isso não porque esteja me isentando, mas porque PRECISO me isentar. Não sou sortuda: desta vez, o massacre do trabalho coincidiu com os trabalhos de fim de semestre da faculdade. Num desses dias aí, a pressa de pegar o meu ônibus que descia a Rua Augusta era tanta que eu acabei sendo atropelada. De verdade, com tudo que tem direito: multidão em volta, hospital, raio-x e várias, váárias contusões e raladas. O que eu diria é:tomara que a gente não torne isso necessário pra gerar uma reflexão sobre o jeito que a gente tá levando a vida... tudo bem que esta cidade é cruel, mas tem como atenuar um pouco. Agora ando pensando em acordar uns minutos mais cedo, pra não fazer as coisas com tanta pressa - e não me irritar tanto quando o metrô parar no meio do túnel. É que eu tenho muito sono, mas azeite. Melhor sentir sono do que raiva.

Em tempo (odeio essa expressão): tá tudo bem comigo, não quebrei nada nem me deformei. Ah, e se tiverem condições... nunca, nunquinha, levem ninguém ao Hospital das Clínicas!
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(21.6.05)
Nota para um segunda-feira
(escrita numa terça para ser lida numa quarta)

Segunda-feira, frio e chuva.
O mundo está tão muderrno, temos internet, clonagem, ônibus espaciais, e ainda não inventaram uma porra de guarda-churra que funcione de verdade. Que não espete a cara dos outros, que seja realmente portátil, que não acumule os pingos de chuva nem fique molhado pra sempre.
O guarda-chuva é o artefato humano mais obliterado e mais carente de inovações tecnológicas.
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(14.6.05)
Homo sp
Pra mim, é maluquice demais pensar que duas espécies de "ser humano" coexistiram por um tempo, há alguns milhares de anos. Eu sou capaz de ficar horas falando sobre isso. Imagine como seria se fosse hoje, que só tem uma espécie de humanos, e já existe tanto preconceito, egoísmo, guerra e roubalheira. Como seria a divisão do mundo? Será que ia ter um apartheid?
Acho que o sapiens ia "ganhar" essa. Apesar do corpo mais fraquinho, ele já que já era mentalmente mais desenvolvido do que o neandertal desde o começo. Seriam os neandertais restritos a algumas áreas do mundo apenas, a realizar apenas alguns tipos de trabalhos, ganhando salários menores? Por causa da capacidade limitada de abstração - e prováveis conseqüências no desevolvimento da linguagem e da arte - seriam eles tratados como deficientes mentais? Ou será que, com o tempo e a convivência, eles iam conseguir se igualar aos sapiens nesses aspectos?
E ia ter os amores proibidos, como uma mocinha sapiens se apaixonando por um neandertal. O sexo apenas pelo prazer, já que o cruzamento entre espécies diferentes raramente gera filhotes. Imagine os fetiches clichês de hoje em dia, como o de "loira que gosta de negão", como iam ser multiplicados por mil. Será que a igreja ia lá proibir? Aliás, será que iam existir seitas exclusivas, que garantiriam que apenas uma espécie do gênero teria lugar garantido no céu?

Será que você ia existir agora? E, se viesse a existir de fato, seria descendente de sapiens ou de neandertal?
Caralho!!!
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(7.6.05)
Querido Papai do Céu,
Eu sei, eu sei... ando sendo uma filha muito relapsa. Quase sempre falo com o Senhor quando preciso de alguma coisa, né? Mas desta vez é diferente, eu juro! Eu quero agradecer. Não quero pedir nada, nem que o Senhor zele pelos meus queridos que já se foram, nem pedir por dinheiro, nem nada. Queria agradecer ao Senhor por ter colocado no meu caminho a pessoa mais maravilhosa da Terra.

Deus, eu sei que eu sou legalzinha até, tenho algumas qualidades e habilidades, mas estou anos-luz longe da perfeição. Como assim o Senhor foi colocar ele justamente no meu caminho? Papai do céu, deixe de firulas e me diga logo se eu sou uma predestinada, uma espécie de Neo, se vou virar a Joana D'Arc quando fizer 33 anos. O Senhor sabe que sou muito curiosa (mas ando tentando me controlar, como o Senhor deve estar vendo aí de cima também).

É que eu não consigo entender. Se eu acredito no Senhor e na Sua justiça, acho que não posso acreditar em sorte ou azar, então não posso me chamar de sortuda, certo? Mas é exatamente como eu me sinto: a maior rabuda fdp da face da Terra. Amada, desejada, querida, valorizada, respeitada, considerada. Importante. Aquela de quem todos sentem inveja e pensam "por que diabos isso não acontece comigo?".

Papai do Céu, se aquele ditado "azar no jogo, sorte no amor" for verdade - e mais, se um fator influenciar o outro -, eu quero morrer sem ganhar nem um real na Lotomania. Desculpe o palavreado, mas dane-se o dinheiro, não estou muito preocupada com isso. Quero perder todas as rifas, disputas de par ou ímpar e joquempô. [agora me dei conta de que nunca li nem escrevi essa palavra, e não faço a menor idéia de como se escreve. Por favor, desconsidere]

Pensando bem, pode ser uma compensação devido ao fato do Senhor ter ficado com dó de mim. Eu andava entrando em roubada atrás de roubada, né? Mas não culpo o Senhor não. Não mais. =) Acho que os seres humanos têm que cometer erros mesmo, porque só assim eles aprendem. Mais do que isso, os humanos também têm que passar por essas situações ruins, pra valorizar as boas que virão depois. Claro que a gente só se toca disso depois de um tempo - e, enquanto isso, praguejamos aos céus e ao inferno, ganhamos úlceras, descontamos a raiva no chocolate...

Bom, Papai do Céu, acho que é isso. Acabei falando um montão, como sempre. Mas só queria mesmo agradecer por colocar na minha história essa pessoa tão especial e maravilhosa. Mesmo que ele vá embora amanhã, eu vou me sentir uma sortuda pelo resto da vida. [Hm, ok, mas não precisa mandar ele embora só porque eu falei! Eu sempre soube que o Senhor preza pela felicidade dos Seus filhos, não é? Sinto que ainda temos uma vida inteira pela frente. Juntos. ;]

Com carinho,
Laulinha
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(6.6.05)
Welcome back to the show!
Eu sei, foi muito tempo sem escrever, sem nem vir aqui. Tem umas épocas que não dá gosto mesmo. O que fazer? Esperar passar, né!

Nesses dias meio tristes, de ver uma pessoa que eu amo sofrendo muito por causa dos rumos da vida, eu fico muito pensativa por tabela. Se eu estou fazendo tudo certo, ou se podia fazer as coisas de um jeito melhor, se estou desperdiçando tempo com o que e quem não vale a pena... vocês também passam muito tempo pensando nisso? Por exemplo, imaginando como seria a morte da sua mãe? Que você poderia estar fazendo diferente na relação entre vocês? Parece que quem consegue se imaginar no problema dos outros, se colocar de fato no lugar dos outros, consegue tirar umas lições das experiências de vida dos outros para si mesmo. Bizarro, porém útil!

Acho que vou rezar um pouco mais esta noite.
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