Laura M., 20 e muitos anos, São Paulo. Atualmente, uma trabalhadora deste meu
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Oaristos Errpañoles


Deste site você pode pegar o que quiser, sem modificar e sem usar para fins comerciais, dando os devidos créditos em algum local visível do seu site/trabalho/etc. Você é obrigado sim a fazer isso!

Escrevo desde maio de 2002, nem sempre neste endereço. O que significa "Oaristos" você pode ver no 1º post de todos, lá embaixo, nos arquivos. Comecei porque queria aprender html, só depois
veio o gosto pela coisa.


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Tem hora que a gente se pergunta... (28.8.06)
Não sei o que fazer! Cada decisão que eu tenho que tomar parece completamente impossível de ser tomada. Me sinto paralisada por ficar entre o que eu "deveria" fazer e o que eu "queria" fazer. E aí alguém mais revoltadinho vai dizer "ah, como assim, você tem que fazer o que quer sempre, foda-se o que os outros vão pensar, fodam-se as obrigações"... mas não é tão simples assim. Quando digo que eu deveria, eu deveria meeesmo, por mim, pelo meu próprio bem. E aí?

Ainda bem que eu tenho amigos lindíssimos, que ficam discutindo comigo sobre o rumo da vida até as 3 e meia da manhã de segunda-feira, por msn - o que é muito roubada. É confortante ter essa liberdade de poder contar com uma visão externa, mais imparcial e mais lúcida, de alguém que você sabe que te ama e que quer muito o seu bem. Se eles estão morando longe, ou trabalhando demais, ou com mil compromissos, não dá pra fazer balada todo dia que nem nos tempos mais juvenis... mas acabam dando um jeito, e assim fica ainda mais evidente o valor disso tudo. Se tem uma coisa que eu vou agradecer a Deus, se um dia eu encontrá-lo, é pelos amigos que eu tive e tenho. A distância realmente não muda algumas coisas...

Mudando de assunto. Será que o cara do Teatro Mágico, quando fez a célebre "Tem hora que a gente se pergunta por que é que não se junta tudo numa coisa só", estaria também pensando naquela sensação maravilhosa de abraçar uma pessoa e querer entrar dentro dela, e ela dentro de você? Só pode, né? Já sentiram isso? Quando a gente tá amando e/ou apaixonado demais, a gente se abraça forte e dá vontade de fundir os corpos... talvez porque as almas já estejam fundindo naquele momento, não sei... acho que é uma das sensações mais fantásticas que alguém pode sentir!
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Por que votar (27.8.06)
Um apelo em feitio de oração, na segunda pessoa
"Nas eleições deste ano, não te deixes saturar de nojo pela política e repúdio às instituições, pois são elas que nos permitem o acesso a direitos, sem trilhar a sofrida via do conflito armado, do terrorismo, da quebra da convivência democrática. (...) Se te mantiveres indiferente e repudiares a campanha, outros haverão de escolher por ti e pode ser que elejam quem haverá de contrariar teus direitos e anseios. (...) À margem do processo político, teu protesto inócuo haverá de favorecer aqueles que merecem ser banidos da vida política. À tua omissão eleitoral agradecerão os que se locupletam com recursos públicos e promovem tráfico de influências, nepotismo e maracutaias."
Frei Beto é escritor, autor de Treze Contos Diabólicos e um Angélico (Planeta), entre outros livros. Fonte: Revista Caros Amigos nº 111, Junho 2006.
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Sinal de vida (23.8.06)
É bom dar notícias, né? O cu tá trincado, mas já estou de volta às atividades normais: trabalho, estudo, e poucas estripulias. Agora tem a bóia, minha nova companheira inseparável, em cima de quem preciso sentar sempre - se eu quiser permanecer na cadeira por mais de 5 minutos sem desconforto. É uma das coisas mais degradantes para o ser humano, fiquem vocês sabendo!

Estou esperando uma resposta, dessas bem burocráticas, que dependem de mil documentações e avaliações. Torçam por mim! Quem não quiser torcer, vá pra pqp imediatamente!

Andei vendo que este blog tem mais de 20 visitas por dia. Mas por que sempre só os mesmos 2 ou 3 leitores comentam??? Aliás, quero mandar um beijo para o Marcel Wakinha, meu leitor e comentador mais fiel de todos os tempos: smack!

Tem uma mariposa pesadona voando descontroladamente pela sala, então resolvi ir embora, que eu odeio esses bichos. E mais: o rodízio de saquê do Sacolão me espera!!!
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Socorro!!! (15.8.06)
Não aguento mais ficar em casa sem fazer nada nem conversar! Só fico deitada de bruço comendo e vendo tv!!!
Se eu pelo menos pudesse ficar um tempão sentada...
Estou recrutando enfermeiros e enfermeiras que gostem de conversar, fazer cafuné e dar uma de psicólogo pruma pessoa tristinha com sua condição. Deixe seu telefone nos comentários que eu entro em contato. Se já for meu conhecido, nem precisa, venha direto pra minha casa!!!
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Quebrei o inútil cóccix! (14.8.06)
Entrei no hospital às 10h, saí quase às 15h completamente desnorteada, com um furo em cada bunda, uma fratura confirmada por diversos raios-x (inclusive os de quinta-feira), uma dispensa de mais alguns dias e outros remédios pra comprar. Cheguei em casa completamente dopada e dormi até as 10h da noite.
Agora acordei e me descabelei porque perdi Lost.
Eu sempre me perguntei como as pessoas que trabalhavam o dia inteiro e não tinham carro faziam quando tinham esses problemas. Descobri que é assim, no acoxambramento, pegando horas de fila no hospital e fazendo barraco, sentando torto no banco do ônibus. Minha nova dúvida é: como fazem as pessoas que ficam afastadas do trabalho durante um mês e não têm carteira assinada? Eu não obtive essa "dispensa" ainda, mas é bem possível que ela venha. Ninguém merece. Sinto um cheiro de "demissão" no ar...
Vou ver se como um donut do Wal Mart. Já comeram? É tudo! Açúcar na veia pra ajudar a espantar os exus todos.
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Sabe? (13.8.06)
Sabe quando você é mal-interpretada o tempo todo? De gente que já pegou birra de você, e qualquer coisinha que você falar/fizer vai ser motivo de exagero? Se eu choro demais, eu pareço uma viúva. Se eu peço um tempo pra mim, sou chata. Se eu reclamo de dor, sou fresca. Se eu não me ofereço pra ir junto, há um alívio. Se eu não ofereço uma alternativa pra resolver um problema, ouço que é melhor cortar a mão de uma vez, ou deixar ela sarar sozinha - até sarar mesmo ou cair do braço, podre e doente.
Sabe quando você se pergunta por que ainda permanece nessa situação?
Sabe quando você não encontra resposta?
...
Sabe quando você está tentando se enganar?
Sabe quando você já encontrou a resposta faz tempo, mas ela é horrível demais pra ser assumida pros outros, e aí você prefere ficar quieta?
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Nada ficou no lugar (2.8.06)
Seu pai estava morrendo. Os médicos deram pouco mais de um mês de vida ao velho, que já definhava numa cama de hospital. A relação entre eles nunca tinha sido fácil. Muitas brigas ao longo da vida, principalmente depois que ela ficou adulta, que é quando as pessoas geralmente entendem mais as coisas. Uma briga feroz, a pior de todas - mas eram pai e filha, acabavam relevando. Amor incondicional costuma ser assim...
Ela trabalhava o dia inteiro e uma enfermeira cuidava do velho durante esse período, mas à noite ela sempre aparecia. O estado do pai piorava a cada dia e essa situação provocou uma série de reflexões na cabeça da jovem mulher. Depois das reflexões, os sentimentalismos apareceram. Algumas mágoas vieram à tona também.
Precisava falar com o pai. Uma coisa que ela havia aprendido bem durante sua breve passagem por este planeta é que "a gente conversa, a gente se entende" - muito antes de qualquer sloganzinho besta roubar sua idéia. Isso ela aprendeu, mas não com ele, um cara fechadão. Não deixava de ter seus encantos, mas uma de suas características mais notáveis era a introspecção, desde garotinho.
Enfim. Precisava conversar, pedir algumas desculpas, perguntar alguns porquês, explicar algumas outras coisas da vida, agradecê-lo. Fez até um roteiro mental. Na segunda-feira, quis começar a falar.
- Ah, filha, hoje não tô com vontade de falar não...
Que mais ela podia fazer senão respeitar essa vontade dele? Ia ficar insistindo pro pai moribundo conversar? Falta de sensibilidade isso, pensou. Mas será que ele não queria morrer o mais "em paz" possível, será que não tinha nada a dizer também? Não soube mais o que pensar. Deixou estar.
Ela sabia que, quando ele quisesse conversar, ele iria a procurar, E sabia que ele sabia que ela era muito dada a divagações, até demais. Então ela resolveu ficar esperando, mesmo com o prazo se esgotando.
Uns dias depois, ela saiu do trabalho um pouco mais tarde do que de costume. Passou num mercadinho e comprou uma barra de chocolate meio amargo, um dos pecadinhos preferidos do pai. Mas já estava com aquela sensaçãozinha ruim, aquele bolo na garganta...
Quando chegou no hospital e entrou no quarto, encontrou a enfermeira meio chorosa. Já sabia... era exatamente a data que o médico tinha marcado.
Ele partiu com uma expressão serena. Não era surpresa para ela que ele não demonstrasse no rosto uma linha, uma ruguinha sequer, de desespero, mesmo com a dor da doença. O que era dele, era dele, ela já sabia também. E tava guardado.
Desta vez, para sempre.
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