Laura M., 20 e muitos anos, São Paulo. Atualmente, uma trabalhadora deste meu
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Oaristos Errpañoles


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Escrevo desde maio de 2002, nem sempre neste endereço. O que significa "Oaristos" você pode ver no 1º post de todos, lá embaixo, nos arquivos. Comecei porque queria aprender html, só depois
veio o gosto pela coisa.


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Pedaços da vida (29.5.07)
Este fim de semana foi bem aprazível, com jogo do curintia no estádio, open-bar, brigas de bêbado no meio da balada, conversas conclusivas de bêbado no meio da balada, after-hours estragueira, passarinho cantando e ressaca no domingão, tudo como manda o figurino. Foi por isso que eu não fui, Van! Tô te devendo uma ligação, não esqueci.

Não aguento mais ficar em casa, presa ao computador. Se eu fosse louca o bastante, assim que eu acabasse o TCC e o meu portfolio (tô tendo que fazer os dois ao mesmo tempo), jogava a cpu pela janela e enfiava um taco de baseball bem no meio do monitor. Na falta do taco, podia ser um cabo de vassoura mesmo. Mas a sanidade é algo de que eu ainda disponho - infelizmente.

Minha atividade diária é fazer o almoço da casa. Minha vó odeia cozinhar, eu tô amando, e por mim virava cozinheira agora mesmo, mas eu falei que ainda tem um restinho de sanidade aqui... olha, só digo que o meu risoto de alho-poró saiu uma coisa linda de deus, viu!

Atualmente ando pensando bastante sobre os rumos deste planeta e das pessoas que o habitam. Nas diferenças entre as nações, as leis absurdas que existem por aí, o conservadorismo que ainda permanece em muitas culturas. Tenho tantos planos plausíveis, mas são tantos as dificuldades! Cada lugar marca seu território e se protege como pode, mas as pessoas que nada têm a ver com isso sofrem as consequências. Estou chateada com todo o protecionismo, as restrições, a dificuldade de ir e vir, o repúdio aos imigrantes de países pobres, e tal. Fim.

At the dark end of the street
that is where we always meet
hiding in shadows where we don't belong
living in darkness, to hide alone
you and me, at the dark end of the street
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Leu na Veja? Azar o seu (23.5.07)
Eu sempre me perguntei como são escolhidas as pessoas que trabalham pra certos jornais e revistas, tipo Folha, Estadão e Veja.
Eu queria saber se os caras que já estão lá só escolhem jornalistas com o perfil do veículo em questão, tipo um reacionariozinho pra Veja, um cara de esquerda pra Carta Capital etc. Daí, eles ficam entrevistando gente até achar alguém que tenha o perfil que combine com o jornal ou revista.
Ou não, ou eles fazem as entrevistas normalmente, e no primeiro dia de trabalho do recém-contratado eles falam: "olha, fulano, é o seguinte: aqui você só pode defender o cirano e escrever mal do beltrano." E o pobre coitado tem duas chances: ficar lá porque o salário é bom, ou por causa de qualquer outro benefício irrecusável, ou ir embora porque é fiel aos seus ideais.
Ou talvez os jornalistas só se candidatem às vagas que correspondem ao perfil deles. Eu queria muito saber como é esse processo! André?
Que ainda existe gente que concorda (ou pelo menos acata) a visão da Veja é óbvio, porque senão ela nem estaria mais aí com toda essa força. Mas a minha dúvida é: pode haver jornalistas, pessoas geralmente cultas e esclarecidas, que realmente querem escrever aquilo que escrevem na Veja?
Se sim, é uma bosta; se não também! Se eles REALMENTE pensam aquelas bostas todas, quando que o Brasil vai pra frente, se esses formadores de opinião são mais reacionários e quadrados que a minha vó? E se não, como eles se deixam ser coagidos a tal ponto? É tudo pelo dinheiro e pelo status de "jornalista da veja"? Ou é porque o desemprego tá foda mesmo e tem que dar um jeito de alimentar os filhos?
É uma pergunta mesmo, não é uma crítica (ainda)!

O que me inspirou foi a matéria sobre a USP que saiu na Veja de 16 de maio. Deu dor no coração quando a fulaninha afirmou que reivindicar a melhor conservação dos prédios é oportunismo. Pelo jeito ela nunca pisou na usp, e muito menos teve aula com o mato invadindo a classe e trazendo uma nuvem de insetos voadores gigantes. (Esse caso é verídico e inesquecível!)
Ou então, segundo a minha teoria do parágrafo anterior, o que ia ser mais engraçado: teria ela se formado na USP e conhecido todas as mazelas da vida uspiana, e no fim topado se sujeitar a isso?
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Ele foi pro céu dos cachorrinhos (22.5.07)

E que ele descanse em paz... o John Waine!
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Sobre magoar pessoas (19.5.07)
Às vezes eu acho que é mais duro machucar os outros do que ser machucado. Pra mim, a sensação de estar fazendo mal pra outra pessoa é meio insuportável. Não entendam isso como "nossa, que altruísta, oh". Na verdade é puro egoísmo meu, acho que nem é generosidade essa sensação. Entendem?
Outro dia, viajei forte numas informações e deixei de fazer um convite muito importante pruma pessoa muito importante. Nem foi culpa minha e nem foi por mal, mas ela ficou chateada e eu fiquei me sentindo o pior ser da face da terra.
Eu nunca consegui terminar um namoro na minha vida, mesmo sentindo vontade. Em cinco namoros que eu tive e seus mil términos, três vezes foram um consenso, duas vezes - as mais importantes - foram tipo um sumiço mútuo, várias vezes foram pés na (minha) bunda. Às vezes, quando a coisa ainda tá em termos de "rolo" e a outra parte envolvida não percebe que eu não tô mais a fim (o que não é muito difícil, mas às vezes acontece), faço que nem cara cachorro: eu sumo. Ai, é péssimo, eu sei.

Aconteceu de novo. Desta vez, e neste caso, eu só posso torcer pra que o tempo seja o melhor remédio mesmo e que passe muito rápido.

Como já era de se esperar, amo fazer as pessoas felizes. Mas tipo, amo mesmo! Ontem, depois de uma série de encontros não planejados e fantásticos, quase fiz uma pessoa chorar de emoção com um pedaço de papel. Foi tão legal!

E amo que me façam feliz também, que me mandem mensagens fofas, que façam massagem sem eu pedir, que me deixem ouvir o que eu quero quando dirijo, que tentem me entender, que me incluam nos planos a longo prazo, que me levem pra lugares onde a cerveja é barata... vish, parei pra pensar agora e percebi que nem é difícil me fazer feliz!

Tomara que essa tendência de descomplicar com o tempo só aumente :)
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Nostalgia (14.5.07)
Hoje eu fui pra USP de manhã. Falei com o professor e revi duas pessoas. Fiquei sentada uns 5 minutos num dos bancos da prainha. Perto da hora do almoço, peguei o clássico Terminal Princesa Isabel e fui até a Paulista. Desci, e fui andando até a editora onde eu trabalhava. Conforme eu ia fazendo aquele caminho, nesse dia cinzento, revivi meus últimos anos. Eu devo ter feito aquele trajeto umas mil vezes, no mínimo! Daquele jeitinho mesmo, naquela hora, com céu cinza e tudo.
Na primeira descida, passei por vários restaurantes onde eu costumava almoçar, os ogrinhos vestidos de terninho sempre por ali pelas empresas, a floricultura, a portuguesa, o pão de açúcar, o boteco onde às vezes a gente ia bater um pf. Cheiros de vários comidas misturados, e aquele mar de gente no seu horário de almoço.
Passei por uma casinha conhecida, num prédio reformado e pintado, cujos novos moradores eram desconhecidos. Uma família, provavelmente: tinha uma moça pendurando camisas masculinas pra secar. Vários xampus na janelinha do banheiro, coisa de mulher, e várias camisas no varal, coisa de homem.
Depois, virei à direita e passei por outra descida, que eu costumava descer correndo. Eu sempre me atrasava pra voltar do almoço. Às vezes eu comprava um Doritos no posto de gasolina da esquina, e era esse meu almoço, porque não dava tempo pra mais. E quase sempre eu fazia isso com gosto... às vezes eu descia com uma cara de pessoa mais feliz do mundo, às vezes as minhas lágrimas desciam a ladeira antes de mim mesma.
A reta final, pra finalmente chegar na editora, era o momento de eu me recompor e torcer pra que ninguém percebesse *muito* o atraso. Tinha dias que era só esperar as outras quatro horinhas pra refazer o caminho, entrar naquela casinha e só sair no dia seguinte, pra ir trabalhar de novo, atrasada como sempre.
Esse trajeto dura menos de três minutos, mas me fez lembrar TANTO de coisas e pessoas dos meus últimos três anos!
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Tô feliz! (10.5.07)
O mundo não tá lá essas coisas, a maioria das pessoas não vale nem uma nota furada de dois reais, São Paulo é violenta e apinhada de gente motorizada, eu engordei pra caralho na europa e não consegui emagrecer nem 1kg, mas eu tô tão feliz agora!
E quando eu fico feliz, eu fico falante, tenho vontade de sair na rua cantando e dançando, falar coisas animadoras pras pessoas e, principalmente, ficar de bem com todo mundo.
Essa é a minha próxima missão, e eu já tenho um grande plano pra ela. Ou melhor, nós. 1, 2, 3, GO!

PS: Já repararam que pepino e melão é a mesma coisa? Só que um é levemente salgado, e o outro, levemente doce? Ééé...
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Que dá medo do medo que dá (9.5.07)
É duro, eu adoro novas emoções e odeio uma mesma rotina durante muito tempo. Aliás, eu gosto de rotina, mas preciso mudá-la de tempos em tempos. Deu pra entender, né?
Mas quando cai nas mãos uma oportunidade maravilhosa de mudar radicalmente a minha vida, fico com medinho: de me magoar, de magoar os outros, de ficar devendo dinheiro, de ficar mais amarga porque as coisas não deram certo, de estagnar...

Ê medinho do caraio!
Mas ele vai sair deste corpo que não o pertence. Vai sim!!!

PS. Gi, tô esperando seu email, hein? ;)
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Assunto do dia (7.5.07)
Minha vó arrumou um paquera na fila da vacina!
Inclusive ele ficou na porta, vendo ela ser vacinada e tudo.
Minha mãe contou que outro dia, no shopping, foi um senhorzinho japonês que xavecou minha vó. Mas ele tava de aliança! Tempos modernos...
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Mais um de comparações (6.5.07)
O brasileiro é bem peculiar. Eu ainda não sei se amo ou se odeio o povo brasileiro. Ficar longe daqui - e voltar, e ficar aqui de novo - me fez entender várias coisas e até chegar a algumas poucas conclusões. O processo fica bem mais fácil quando temos vários referenciais externos, ou maneiras de viver, ou como queiram. Eu achava que as coisas só poderiam ser deste jeito que é aqui, porque este era O jeito que eu conhecia. Mas eu sempre me surpreendo!

Vou fazer um recorte do tema: o homem brasileiro é extremamente machista, e a mulher é submissa. É sério.

A única opção pra uma mulher aqui é casar (se tiver filhos, melhor ainda). Eu nunca vi uma brasileira virar e falar "ok, eu não quero casar porque ficar sozinha é o que vai me fazer feliz". Nunca! Uma quarentona solteira morre de vergonha da sua condição. Ela é uma perdedora aos olhos dos outros, porque ninguém deve gostar dela. As brasileiras ainda têm uma visão meio romantiquinha dos relacionamentos, por mais que não assumam nem mortas. Têm sim!

Já o homem brasileiro é aquele meio malandro, vai no puteiro escondido da mulher só pra se divertir, porque ele gosta de puta e do ambiente de pecado. É um fetiche danado. Se ele não comer uma, a mulher saiu no lucro. O homem se sente menos viril se ele não catar várias, e prefere trair a se sentir menos viril. Todos têm um papinho cinco estrelas que, muitas vezes, não vale nada. O quarentão solteiro é aquele que deve estar aproveitando a vida com o dinheiro que acumulou ao longo dos últimos anos.

No fundo, é tudo insegurança traduzida de duas maneiras diferentes. Uma, porque aprendeu que tem que casar. Outro, porque aprendeu que tem que ser machão. É muito difícil parar e prestar atenção nos próprios sentimentos - isso em qualquer lugar.

Mas uma das coisas que eu aprendi é que tem uns lugares longínquos neste planeta onde homens e mulheres são tratados 100% igual! Nos salários, na vida cotidiana, dentro de casa, onde seja. As mulheres nem sempre são dependentes de relacionamentos, elas são realmente capazes de ficam bem sozinhas. Os homens nem sempre ficam só no papinho cinco estrelas, eles podem agir como o homem mais rápido do oeste.

O primeiro parágrafo deste post pode ter mil desdobramentos. Se eu tiver paciência, aguardem! Enquanto isso eu fico aqui, morrendo de nostalgia de todos os momentos que me mostraram essas coisas que eu escrevi aí em cima...
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